Caracterização do Curso

A história da ocupação e a economia do Estado de Mato Grosso são marcadas pela exploração dos recursos naturais, como aconteceu na maior parte do país desde os tempos coloniais. No caso do Mato Grosso, no século XVIII, esta ocupação ocorreu em um primeiro momento pelo extrativismo mineral e, num segundo momento, a partir de meados do século XX, pelo extrativismo vegetal.

Nos últimos trinta e cinco anos, vem se desenvolvendo no Estado um processo de ocupação que teve e ainda tem na agricultura e na pecuária a sua principal base de sustentação. Em conseqüência desse processo, o Estado vem apresentando, nesse período, um crescimento populacional acima da média nacional, acarretando em um processo intenso de urbanização, marcado pela expansão urbana dos centros tradicionais surgidos na época da colonização, como também, pelo surgimento de novos aglomerados urbanos, no sudeste e na fronteira da expansão agrícola do Norte do Estado. 

Essa ocupação se deu, e ainda se dá, sem levar em conta as potencialidades e limitações do meio físico. De fato, as cidades são os locais aonde mais intensamente o meio físico vem sendo ocupado, por meio da urbanização de áreas impróprias, ocasionando o comprometimento precoce dos equipamentos urbanos ou ainda, a ocorrência de condições de risco como inundações, erosões e subsidências, colocando em perigo a vida e o patrimônio da população, em diferentes graus.

Esse rápido crescimento das cidades no Estado de Mato Grosso, bem como o incremento das atividades agropecuárias e, mais recentemente, agroindustriais, associados às atividades de extração mineral, vêm ocasionando uma intensa exploração dos recursos hídricos de maneira geral, e em particular das águas subterrâneas, comprometendo seu uso pelas futuras gerações. Embora no Estado os recursos hídricos superficiais sejam abundantes, sua captação e suprimento para o consumo humano, industrial, agrícola e pecuário são limitados por fatores econômicos e muito em breve por condições de contaminação e poluição. Deve-se ainda, levar em consideração que devido à grande expansão demográfica e das atividades econômicas do Estado, a demanda pela água tem aumentado consideravelmente.

Entretanto, apesar da grande disponibilidade hídrica do Estado, os principais rios têm sofrido alterações dentro dos aspectos de quantidade e qualidade decorrentes principalmente da falta de infra-estrutura básica de saneamento, de esgotos sanitários e resíduos sólidos, associados às contribuições difusas oriundas das expansões das fronteiras agrícolas, as quais ampliaram de maneira substancial as áreas agricultáveis, colocando o Estado na liderança da produção de grãos e de algodão no país.

No entanto, grandes reservas de água subterrânea, representadas especialmente pelos aqüíferos Guarani, Furnas e Parecis, ainda não são aproveitadas, podendo contribuir de maneira efetiva para a solução dos problemas básicos de abastecimento de água, fomentando o desenvolvimento econômico. Urge, portanto, que se desenvolvam estudos que permitam a exploração sustentável desses aqüíferos.

Pesquisas sobre o potencial e a qualidade dos recursos hídricos têm merecido um destaque cada vez maior em todos os países. No Brasil, poucos estados possuem conhecimentos satisfatórios sobre as suas reservas de águas, de maneira a garantir a sua utilização e conservação. O Estado de Mato Grosso inclui-se entre aqueles mais carentes em estudos sobre os recursos hídricos, apesar do seu alto potencial e da estratégica posição geográfica, que lhe asseguram importante papel armazenador e de nascedouro das maiores reservas hídricas superficiais brasileiras, como as representadas pela Bacia Amazônica, Bacia do Paraguai e Bacia do Araguaia, além do Pantanal Mato-grossense. Diante deste contexto, cabe à UFMT exercer papel importante na formação de recursos humanos capacitados para atender a essa demanda regional e também nacional.

As questões relacionadas a recursos hídricos exigem uma abordagem multidisciplinar dada a complexidade e multiplicidade de fatores envolvidos que requerem, para a sua resolução, a participação de profissionais de diferentes áreas de formação. 

Assim sendo, este programa está estruturado em uma área de concentração – Recursos Hídricos: Manejo e Conservação –, com duas linhas de pesquisa: i) Dinâmica dos Recursos Hídricos Superficiais e Subterrâneos e ii) Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos. Trata-se de uma proposta multidisciplinar envolvendo professores de formações diversas que têm como principal interesse de pesquisa a água, como se pode constatar pelos projetos de pesquisa em andamento e os recentemente concluídos, bem como pelas publicações produzidas. O corpo docente proposto para este programa está composto por: 4 geólogos, 2 químicos, 4 engenheiros, 1 matemático, 3 agrônomos, 2 biólogos, 1 geógrafo e 1 físico.

A implantação do Mestrado em Recursos Hídricos permitirá incrementar as atividades de pesquisa e a produção científica do grupo e deverá contribuir para a formação multidisciplinar de recursos humanos qualificados na área de manejo de recursos hídricos. 

A criação deste programa foi aprovada pelo Conselho de Ensino e Pesquisa desta Institutição – Consepe e regulamentada através da Resolução nº 38 de 07.04.2006.

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